Antigamente, na época da palmatória ou do caroço de milho, os alunos eram mais respeitosos e respeitáveis. Eram? Ou será que eles tinham mais medo do que os alunos de hoje em dia? Independentemente da resposta, o fato é que as travessuras dos alunos de antigamente geralmente não passavam de atos infantis ou infanto-juvenis, onde o objetivo era a diversão ou até mesmo a quebra de uma regra imposta pela sociedade ou pela comunidade escolar. É nostálgico dizer que existia uma inocência e ou ingenuidade salutar.
Hoje, época de direitos das crianças e adolescentes, quando, em certos momentos, nos parece que eles têm muito mais direitos do que deveres e responsabilidades, nossos alunos não mostram nem o respeito pela condição escolar, pelos colegas ou pelos professores e demais profissionais da educação e nem também o medo de sofrerem alguma sanção por parte da autoridade escolar ou dos pais.
Alguns alunos tinham o receio de ficar sem as notas, importantes para a somatória geral e para a aquisição de uma media anual, exigida para a aprovação. Hoje, isso também não existe. Percebe-se um total desinteresse pelo aprendizado ou pela aprovação, culminando em uma falta de respeito coletivo e pessoal que beira o absurdo. É evidente que a generalização, acima de qualquer coisa é burra, mas o cenário educacional está à beira de um colapso.
E porque os alunos não respeitam – ou temem – mais os professores? Justamente por causa do desinteresse. A causa desse desinteresse, além de uma política educacional completamente falha, está na ausência do acompanhamento das crianças por parte dos pais, que parecem ter abandonado a educação dos filhos. Nas escolas, uma imensa quantidade de pais é chamada para um acompanhamento de seus filhos e jamais comparecem. “Não vou perder tempo com essas coisas”, disse um pai certa vez que foi questionado por não ter comparecido à escola para informar-se sobre as notas do filho.
Outro fator é que a política de aprovações favorece muito aos alunos que menos se interessam, pois eles sabem que, no final do ano letivo, terão várias oportunidades extras para não serem retidos em suas respectivas séries. O grande objetivo da educação fundamental e média no Brasil hoje, seja pública ou privada, é não reprovar o aluno, para que se possa mostrar para o próprio país e para o mundo que as taxas de reprovações escolares, assim como as taxas de analfabetismo estão caindo perceptivelmente, desde a entrada deste ou daquele governo. Essa política faz com que professores, principalmente do nível fundamental 2, encontrem, entre seus alunos, crianças e jovens que não sabem ler – às vezes, sequer sabem decodificar a escrita.
Começa, então, uma fabulosa busca pelo culpado do fato de algum aluno estar cursando uma determinada série sem condições de acompanhar a turma. E o mais triste: os próprios alunos não têm o interesse de aprender, recomeçando o ciclo de desrespeito aos profissionais de educação, profissionais estes que já não contam com o respeito dos próprios governantes que desconhecem e ignoram a calamidade em que se encontra o sistema educacional.
A grande questão é que o governo cobra dos pais, que cobram do governo, que cobra dos professores, que cobram do governo, que cobra dos pais, que cobram dos professores e, no final das contas, poucos se preocupam de fato com os alunos. Todos estão mais preocupados em livrar-se da responsabilidade e em achar um culpado.
Voltando aos alunos, estes têm refletido na escola o que tem acontecido fora dela. Triste, porém, é que, quando estes alunos chegam a uma idade – ou maturidade – que os permita realmente decidir seu futuro, por reflexo, por desamparo ou por falta de vontade própria, simplesmente mostram-se apáticos, sem o menor interesse em aprender e melhorar.
Sabemos que, por mais que pareça um velho clichê, a educação é o melhor meio de se aprimorar o ser humano. Mas para isso, é necessário que este ser humano queira. O abstrato jamais se transformará em concreto, para que seja “implantado” nas cabeças das pessoas. O querer é único, pessoal e intransferível.
Fonte: Alessandro Amorim da Silva