As dúvidas mais freqüentes sobre TDAH
* Eliane Pisani Leite
P: O que é TDAH?
R: Existem muitas definições para o TDAH, essa variação depende da linha de pesquisa de cada grupo.
Uma definição aceita em nível mundial é a do DSM-IV (American Psychiatric Association - APA, 1994). Esse transtorno é definido como um padrão persistente de hiperatividade/impulsividade, mais freqüente e severo do que o habitualmente observado em indivíduos com um nível de desenvolvimento comparável.
Independente das definições científicas, o que observamos é que se trata de crianças muito agitadas, que apresentam dificuldades em prestar atenção por muito tempo em uma única atividade. Têm mil idéias ao mesmo tempo e não conseguem finalizar nenhuma. São impulsivas, não têm o hábito de refletir antes de tomar atitudes. Primeiro agem, depois pensam no que fizeram. São inteligentes, ágeis e criativas, mas apresentam baixo rendimento escolar, devido à falta de atenção e concentração. Distraídas e desligadas, parecem que estão no “mundo da lua”, mas percebem todos os estímulos ao redor.
Essas são algumas características do TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade -, que todos os profissionais de educação já ouviram falar. Casos como esses desequilibram a estrutura de uma sala de aula, pois a criança hiperativa tem muita dificuldade de se envolver com uma única atividade, bem como de permanecer parada por um período relativamente prolongado.
Ainda nesse item de definição, é muito importante deixar claro que o Déficit de Atenção pode vir ou não associado à hiperatividade.
P: A TDAH afeta também adultos?
R: Sim. O problema é que esse tipo de diagnóstico só agora começou a ser divulgado, por isso muitos adultos estão sendo diagnosticados nesta fase.
P: Isso melhora com o tempo? Existem graus de hiperatividade?
R: Os sintomas podem melhorar com o tempo, desde que o diagnóstico esteja correto e a família procure ajuda profissional para um tratamento terapêutico, pois é necessária uma reeducação social. Atualmente, uma das melhores linhas de terapia é a Cognitiva Comportamental, pelos resultados mais rápidos.
P: É comum pais e médicos diagnosticarem isso de forma errada?
R: Não, os médicos especialistas no assunto dificilmente erram no diagnóstico, pois existem vários instrumentos e técnicas para avaliar o caso: testes, visitas à escola, consultas familiares, entre outros.
O que é comum acontecer são familiares desinformados sobre o que realmente é TDAH fazerem comentários sobre o comportamento da criança.
O termo HIPERATIVIDADE acabou se transformando em título para toda criança agitada, “que não pára quieta”. Vale a pena lembrar que o diagnóstico é sempre dado e concluído por um médico especialista e integrado com os problemas de aprendizagem.
Geralmente a família chega ao consultório psicológico ou psicopedagógico para uma avaliação a pedido da escola, e o profissional bem informado saberá que, para fechar o diagnóstico, deverá contar com uma equipe - entre eles, um médico.
O diagnóstico não é muito fácil, pois é necessário que a criança apresente um conjunto de sintomas, sendo pelo menos seis de cada subtipo em no mínimo dois contextos: em casa e na escola. Os sintomas podem estar claros em crianças que:
- mantêm-se em permanente movimento;
- mexem em tudo, sem motivo e sem propósitos definidos;
- apresentam pouca paciência e mudam de atividade com muita freqüência;
- não conseguem permanecer sentadas para assistir a um programa de TV;
- apresentam incapacidade para focar a atenção em qualquer atividade durante um período de tempo necessário para tal. Há certa tendência para desviar a sua atenção para outros estímulos que são impróprios para aquele momento;
- distraem-se com muita facilidade e, freqüentemente, não conseguem terminar as tarefas propostas para o período preestabelecido;
- prolongam a tarefa escolar (um dos indicadores mais evidentes para se detectar a hiperatividade).
P: Qual o índice na população?
R: O DSM-III-R e o DSM-IV declaram que o Déficit de Atenção estaria presente entre 3% e 5% da população escolar, com maior freqüência nos meninos, em uma proporção de 4:1 (APA, 1997 e 1994).
P: Qual é o tratamento?
R: É feito com orientação médica. São prescritos psicoestimulantes tanto para crianças quanto para adultos. É necessária uma terapia psicológica e psicopedagógica, como já comentado, e orientação familiar e escolar.
Investigações recentes na área da neuropsicologia apontam para novas propostas de intervenção, as quais podem trazer enormes benefícios para as crianças. Portanto, é importante que os familiares fiquem atentos às novas propostas de intervenção.
DICAS:
Em primeiro lugar, ter paciência com a criança; valorizar suas conquistas; recompensar comportamentos adequados; evitar rótulos; proporcionar ambientes tranqüilos; favorecer atividades sociais; respeitar o ritmo escolar da criança; colocar limites claros; treinar hábitos sociais, como permanecer sentado à mesa durante uma refeição (lembrando de sempre proporcionar atenção e carinho quando conversar com ela).
A escola pode dar sua contribuição tomando as seguintes medidas:
1) Preparar sua equipe disciplinar, dando instruções e informações do que vem a ser TDAH.
2) Comportar, nas salas de aulas, um número de até 20 alunos, para que o professor dê a atenção necessária.
3) Inserir uma equipe multidisciplinar, composta de pedagogos, psicólogos, psicopedagogos e fonoaudiólogos.
4) Ministrar os medicamentos necessários.
5) Discutir internamente sobre como proceder com os erros desses alunos.
6) Permitir, se possível, a participação efetiva dos pais no contexto escolar.
7) Estabelecer contatos freqüentes com os profissionais que acompanham a criança.
As escolas têm adotado uma postura receptiva a crianças que apresentam algum problema, pois, desde que a lei de inclusão escolar passou a vigorar na rede educacional, isso tem sido uma meta de todos os proprietários de escolas - e até mesmo das escolas públicas.
O companheirismo e a boa vontade são os alicerces para desempenhar um bom trabalho.
FRASES:
“Papai e mamãe, fiquem atentos, pois seu filho pode ter um problema além da esfera comportamental. Isso chama-se Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade.”
“Se o comportamento de seu filho está trazendo prejuízo nas áreas sociais e escolares, é hora de procurar ajuda.”
“Participar das palestras escolares e procurar estar bem informado sobre os problemas de comportamento trará às famílias muito mais qualidade de vida.”
* Eliane Pisani Leite
Psicóloga/psicopedagoga/acupunturista
pisani.leite@terra.com.br