A REVOLUÇÃO COR DE ROSA DO PT
Ufa! Até que enfim, o PT conseguiu. Demorou, mas São Lula e seus fiéis devotos conseguiram alcançar o pedestal da Presidência da República do Brasil.
No início da década de 1980 o discurso contestatório e ideológico do PT, levava muitos a crerem que o país entraria numa onda socialista, dirigido por sindicalistas radicais de orientação esquerdista. As barbas os denunciavam. O discurso radical e contundente levava seus críticos e adversários a temê-los.
O PT se articulou, conversou, liderou greves, passeatas e manifestações. Em 1989 já se considerava maduro para chegar à Presidência da República. Marmelada! O discurso anti-liberal, anti-privatizante e anti-capitalista não permitiu que Lula lá chegasse. O playboy “engomadinho” foi o preferido dos brasileiros e da mídia. Os petistas continuaram. Em 1994 de novo, perderam. Romper com o FMI (Fundo Monetário Internacional), OMC (Organização Mundial do Comércio) e Banco Mundial era necessário e fundamental para o Brasil se desvencilhar da dependência econômica externa, no entanto, os grupos capitalistas e de direita não permitiram isso. Lula lá, não aconteceu. Já em 1998, a crítica ao real foi a grande tônica. O anti-FHC, parecia dar certo, mas de novo o PT se viu enclausurado no campo da derrota.
Foram nada mais, nada menos do que 3 derrotas consecutivas. O PT agonizou no amargo sabor da derrota. Percebeu que era necessário mudanças (será?). O discurso precisava mudar. Aliás, de acordo com o próprio PT era preciso amadurecer. Traduzindo: não mais suspender o pagamento da dívida externa, seguir os ditames do FMI, abaixar a cabeça para os EUA, etc., etc., etc., Nesta onda de amadurecimento petista, só falta o Brasil assinar de vez o acordo da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) e perder sua soberania para os norte-americanos cedendo a base de Alcântara no Maranhão para controle estratégico-militar dos EUA.
Afinal, 2002 chegou. O novo PT (verde, amarelo ou cor de rosa?) aponta com tudo novo, com Duda de Maluf, com um trotskista metido a neo-liberal, com um ex-exilado em Cuba querendo ser ministro, com a obstinação de um ex-metalúrgico, ex-pobre, ex-radical, querendo a qualquer custo ser Presidente da República do Brasil. Em um país democrático, isto é possível – felizmente o é.
O ano de 2002 entrará para a História, quanto a isso não ficam dúvidas, não é todo dia que um migrante nordestino, sem diploma superior, chega à Presidência do seu país. São Lula representa a ânsia de mudança de milhões de brasileiros que padecem sob a fome, o desemprego, a miséria, a pobreza, a discriminação, a desigualdade social. Ele representa tudo aquilo que o povo brasileiro nunca teve: dignidade e orgulho de dizer “sou brasileiro”.
Mas o grande problema é que o PT amadurecido está se enveredando no mesmo caminho daqueles que sempre promoveram a opressão do povo brasileiro, daqueles que nunca fizeram a tão sonhada Reforma Agrária, que jamais fizeram distribuição de renda neste Brasil, brasil. Será que vai dar certo? Ao que tudo indica já está dando... errado.
O povo não precisa simplesmente que levem três pratos de comida durante o dia, o povo quer trabalho, dignidade. Isso não se consegue continuando com a mesma estratégia de FHC.
Antes na oposição o PT sempre defendeu um salário-mínimo superior ao que o presidente FHC propunha, agora o discurso mudou. Antes, na oposição o PT vermelho, sempre brigou pela suspensão de pagamento da dívida externa, agora com a cor de rosa (ou amarelo?) já fala em negociar, pagar, parcelar. Antes, na oposição o PT sempre criticou o Banco Central por sua política neo-liberal e não-promotora do crescimento econômico do Brasil, agora coloca lá um tucano (aqueles que sempre criticaram), ex-presidente do Banco de Boston. Será que vai dar certo? Como as coisas mudam...
As luzes do capitalismo de fato seduzem, é preciso muita perseverança para que as mudanças não sejam assim tão... tão ‘radicais’. Para ser eleito vale qualquer coisa? Durante a campanha o novo PT prometeu um crescimento econômico faraônico, 4% ou 5%. Ou os mentores econômicos de São Lula são muito bons ou são mágicos, isto porque a economia de países ricos como Estados Unidos, Canadá, França, Itália, Inglaterra, Alemanha e Japão crescerão no máximo 2% em 2003 e porque no Brasil do PT o crescimento será maior se a dívida externa nos amortiza, se o desemprego urge em nosso meio?
Vamos deixar as coisas bem claras: não sou daqueles que quanto pior melhor. Mas é preciso colocar os pingos nos “is”. A expectativa e confiança depositada nas mãos de Lula representa o desejo de mudar e não “mudar para continuar como está”. A questão agora é clara: tá todo mundo no mesmo barco. Ninguém sabe quem é oposição e situação. Com estes novos discursos, teremos que separar o que é trigo e o que é joio, quem é direita e quem é esquerda.
A culpa é do eleitorado? Não! A culpa é deles que antes eram e agora já não são, que hoje são e não sabemos se amanhã serão... Será que vai dar certo?
A pergunta que fica... E agora em 2006?
É Lula de novo.... Eita Brasil, que futuro terás?
José Felinto Ferreira Neto
Professor